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TeatroPE: Como foi sua gestão na Feteape? Quais ações você implementou? O que você não conseguiu, mas gostaria de ter feito? 

FF: A minha gestão na Feteape foi exitosa e bem avaliada pelos grupos filiados e pela comunidade teatral. Naquela época a federação chegou a gozar de prestígio nacional sendo uma referência de ação federativa. Fui Diretor de Formação e Informação (1990/1992), Tesoureiro (1992/1994) e Presidente (1994/1996). Houve um grande salto de qualidade na produção do interior. Fizemos um recadastramento de grupos, visitamos todas as cidades onde tínhamos filiados e implementamos o Projeto Andanças desenvolvido em três etapas: a) seminários regionais para diagnose de necessidades, b) oficinas teatrais a partir da análise das necessidades e c) circulação, onde cada regional recebia dois espetáculos de fora e enviava outros dois para apresentações fora. Sem dúvida alguma deixei a federação no seu melhor momento político/administrativo, marcada por ares de bonança e união entre os filiados. Para selar a gestão conseguimos lançar o livro “20 Atos de Longos Anos Teatrais”, escrito por Romildo Moreira, que marcaram duas décadas de existência da entidade.

TeatroPE: Como surgiu a Artepe? 

FF: Surgiu da necessidade de termos uma terceira via de representação para as companhias e grupos com perfil profissional que não encontravam espaço nas entidades existentes. Sua fundação se deu no dia 05 de janeiro de 2003, no Galpão das Artes, na cidade de Limoeiro. Moderna, tem princípio estatutário/regimental e está ancorada no Novo Código Civil Brasileiro. Seus encaminhamentos são decididos em regime bicameral: Diretoria Executiva e Conselho de Grupos analisam as matérias para posterior deliberação. Seu objetivo é organizar e incentivar a atividade teatral, desenvolvendo ambiente propício para o fortalecimento do cometimento de ações artístico-culturais e educacionais, além de oferecer uma contrapartida de responsabilidade social. A Artepe possui companhias e grupos filiados em todas as regiões geográficas do Estado: Petrolina, Serra Talhada, Triunfo, Sertânia, Caruaru, Palmares, Limoeiro, Jaboatão dos Guararapes, Igarassu, Camaragibe, Paulista, Olinda e Recife, integram a sua base de atuação.


Congresso da Artepe

TeatroPE: Quais são os futuros planos da Artepe?
 
FF: Conforme previsto no Estatuto Social e no Regimento Interno vamos lutar para termos uma casa de espetáculos e um espaço de convivência para artistas idosos. A nossa sede própria já é uma realidade. Em setembro estaremos de endereço novo: Rua do Riachuelo, n.º 189 – sala 1308 – Boa Vista. 

TeatroPE: Você está envolvido com o plano de governo no campo da cultura do candidato a prefeitura de Jaboatão dos Guararapes, Paulo Rubem Santiago. Quais são as propostas para a ação da prefeitura no campo do teatro? 

FF: O Governo Paulo Rubem terá a cultura como uma marca importante na sua gestão, pela compreensão que temos do que é cultura. Sabemos ser uma área estratégica para o sucesso de uma boa administração pública. A Secretaria de Cultura irá dialogar com as demais Secretarias naquilo que lhe for transversal e a comunidade será ouvida nas diversas instâncias consultivo-deliberativas. No campo do teatro a primeira providência será reabrir o Teatro Samuel Campelo, transformá-lo num centro de referência e colocá-lo efetivamente à disposição da produção local. Serão instalados teatros de arena com capacidade para 100 pessoas nos diversos Distritos Administrativos. Mediante a implantação do cadastro cultural será desenvolvida uma ação artística nas periferias onde o teatro será um importante instrumento de formação cidadã e inclusão social. 

TeatroPE: Você esteve muito envolvido na criação do Funcultura, pois na época você era assessor parlamentar do Deputado Sérgio Leite. Como foi esse processo de criação do Funcultura? 

FF: Foi uma fase de grande inquietação com o sistema vigente naquele período. No formato anterior, o Sistema de Incentivo à Cultura era formado apenas pelo mecenato, onde o produtor cultural ao ter o seu projeto aprovado recebia uma certificação que o habilitava a procurar as empresas para obter recursos da renúncia fiscal para executar os seus projetos. O sistema tinha muitas falhas, abria espaço para fraudes e tinha dois agravantes: 1) Colocava a escolha do que seria produzido na mão das empresas apoiadoras e 2) Não conseguia viabilizar projetos economicamente pouco atraentes a exemplo de formação, literatura de cordel e pesquisa, entre outras linguagens culturais igualmente desprotegidas. Foram exaustivas reuniões no plenário da Assembléia Legislativa, negociações com as bancadas de parlamentares tanto da oposição como da situação e com o Governo do Estado. Foi um dos raros momentos em tempos recentes em que os artistas e produtores se uniram diante de uma causa. O governo não queria modificar a lei, mas diante de tanta pressão acabou cedendo, surgindo então o Funcultura.
 
TeatroPE: Você tem uma atuação muito forte no legislativo estadual e federal. Como você vê a ação dos deputados no campo da legislação cultural especificamente do teatro? 

FF: Existem ações pontuais até porque são raros os parlamentares que são forjados na cultura. Um exemplo do que digo é Paulo Rubem Santiago que é ator e percussionista e ocupa a Presidência da Sub-Comissão de Educação e Cultura da Câmara Federal. Além de não existir esse olhar mais atento sobre a importância histórica, social e política do teatro em nosso país, sem falar no seu viés econômico e no seu caráter de entretenimento e lazer; as entidades, os artistas e os produtores não interagem na medida do necessário para instrumentalizá-los acerca das nossas necessidades. A práxis é confundir política pública com relação de troca de favores. Poderia se formular mais. Este é um potencial mal aproveitado pelos parlamentares e pela sociedade civil. 


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