Cênicas Companhia de Repertório
por Antônio Rodrigues (Ator e diretor da Cia.)
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Em 2001, um sonho que nem tínhamos dimensão do tamanho começou a se tornar real. O Cênicas Companhia de Repertório nasceu da iniciativa de atores com objetivos afins, na formação de um grupo de teatro em que pudessem experimentar o fazer teatral, dando ênfase à pesquisa da linguagem de cena e do trabalho do ator. Em sua maioria os atores eram oriundos a cidade de Garanhuns |
Apesar de morarmos no Recife já há bastante tempo, foi o interior que abriu as portas para a nossa estréia nos palcos em 19 de junho de 2001, no Teatro Luiz Souto Dourado do Centro Cultural Alfredo Leite Cavalcanti, durante a mostra seletiva para o XI Festival de Inverno de Garanhuns. Motivados pelos estudos sobre o Teatro do Absurdo chegamos a um grande expoente dessa corrente, o francês Jean Tardieu. O texto chegou até nós através de um de nossos integrantes, o ator Jeff Nascimento. A identificação foi imediata, a partir das primeiras leituras, fomos mergulhando num mundo de possibilidades que, somente mais à frente, pudemos perceber que aquele marcava o princípio de uma busca pela nossa própria linguagem cênica.
O atual corpo de atores do grupo é formado por: Antônio Rodrigues, Cláudio Malaquias, Duvennie Pessoa, Jeff Nascimento, Karina Cavalcanti, Fernanda Angelim e Sônia Carvalho, além de Valdemir Rodrigues e Alexandre Siqueira na produção e em treinamento os atores Juliana de Almeida e Gustavo Soares. Passaram pelo grupo os atores: Cleyton Cabral, Luciana Pontual, Eduardo Japiassú, Marcelo Francisco, Maria Elisa Moura, Lícia Cemíramis e Lílian Fereirra, estes ainda fazem participações especiais em nossos trabalhos, são parte de nossa história e peças chaves na construção da nossa trajetória. Sem contar com os convidados que abrilhantaram ainda mais nossos trabalhos: Jorge de Paula, Maria Luiza Lopes, Vanessa Lins, Diego Silva, Augusto Mendonça, Ana Souza, Patrícia Moreira, Alan Roger e Edjalma Freitas.
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Nossa primeira montagem foi Um gesto por outro (2001) (2): o famoso texto de Jean Tardieu na ótica de uma companhia jovem. Retomar uma dramaturgia de qualidade foi o mote para nosso primeiro trabalho. Tardieu se tornou um dos autores cuja obra representa uma das maiores gamas de experimentação no Teatro do Absurdo. Foi um campo de grandes experimentações, apesar de ser um texto escrito há mais de 50 anos, sua temática é bastante atual e isso foi uma das principais identificações com a dramaturgia escolhida, começamos com o pé direito. |
Cleyton Cabral em Um gesto por outro |
A crítica ao high society em forma de jogo teatral estava diretamente relacionada com o que queríamos dizer naquele momento. Um mundo cheio de convenções e regras de etiquetas, no qual as pessoas reproduzem o que são as regras impostas pela alta sociedade. Um prato cheio para ironia e para o bom humor que Tardieu traz em seus trabalhos.
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