André Filho:
Um fiandeiro da poesia do teatro
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André Filho é considerado uma grande revelação na área de encenação de nosso estado. Além de encenador, André é dramaturgo (premiado com seu texto Outra vez, era uma vez), ator, músico, diretor musical, preparador vocal e membro da importante Companhia Fiandeiros de Teatro. Como ator, participou durante dez anos da Companhia Teatro de Seraphim e foi aluno dos Cursos de Formação de Ator da Fundaj e da UFPE. Hoje é um importante diretor musical e preparador vocal de nosso estado. Na entrevista a seguir, André Filho nos relata suas diversas experiências nessas áreas. |
| André Filho |
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(Entrevista concedida a Wellington Júnior)
TeatroPE: Você participou de um grupo muito importante para nossa cidade que é a Companhia Teatro de Seraphim. Como avalia o seu trabalho de ator dentro da trajetória da companhia?
André Filho: Eu ingressei na Seraphim praticamente quando ela estava se formando. Eu era aluno do Curso Básico de Formação do Ator da Fundaj (Fundação Joaquim Nabuco). A nossa montagem de conclusão do Curso foi o espetáculo Em nome do desejo, uma adaptação do romance homônimo de João Silvério Trevisan, cuja adaptação e direção foi do professor Antonio Cadengue. Paralelamente a esta montagem, a Companhia Teatro de Seraphim fazia sua estréia na cidade com o espetáculo Heliogábalo e eu, também um texto de João Silvério Trevisan, com direção de George Moura. O sucesso do Em nome do desejo ultrapassou todas as nossas expectativas e o espetáculo foi incorporado ao repertório da Seraphim. Mas eu tinha a consciência de que faltava muito mais ainda para me tornar um ator. Em 1991 o grupo se preparava para montar O jardim das cerejeiras, um texto de Anton Chekov; eu e alguns outros alunos fomos convidados a participar da montagem. Era a oportunidade que eu queria de aprender mais sobre interpretação. Daí por diante participei de todos os trabalhos da companhia, com exceção do espetáculo A lira dos vinte anos. Foram dez anos de aprendizado muito intenso. Eu abraçava cada montagem como se fosse um novo curso, uma nova oportunidade de me aprofundar na linguagem do teatro. Posso dizer que me considero um privilegiado por trabalhar por quase dez anos com um diretor talentoso como Antonio Cadengue; e também por ter tido a oportunidade de trabalhar com profissionais como Lúcia Machado, Marcus Vinicius, Ivan Soares, Vavá Paulino, Germano Haiut, a maravilhosa Maria de Jesus Bacharelli e tantos outros que eu já admirava como espectador. Foi também através da Seraphim que tive a oportunidade de conhecer profissionais do nível de Ayrton Tenório que me ajudou muito a compreender como se processa o equilíbrio corporal na cena. Além de Alexina Crespo, uma professora maravilhosa que me ajudou muito a compreender a importância de saber ler bem um texto de teatro, não apenas na forma, mas sobretudo em seu conteúdo. Depois de participar dos espetáculos Em nome do desejo, Heliogábalo e eu, O jardim das cerejeiras, Senhora dos afogados, Auto do frade, Morte e vida severina, Lima Barreto ao terceiro dia, Os biombos, Sobrados e mocambos e Noite escura (neste último participei como diretor musical e músico) não poderia avaliar de outra maneira a minha passagem pela companhia que não fosse de constante aprendizado, de amor e respeito ao teatro.
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| Em nome do desejo (direção de Antonio Cadengue), vivendo a personagem Padre Marinho |
TeatroPE: A Companhia Fiandeiros de Teatro é hoje no Recife um dos principais grupos da cidade. As produções do grupo são extremamente pesquisadas e de uma qualidade impressionante. Como surgiu o desejo de montar o grupo e como você percebe a trajetória da companhia no panorama atual da cidade?
AF: O surgimento do grupo não foi diferente de todos os outros, alguns artistas que precisam dizer algo, que se juntam e procuram canalizar esta vontade de se expressar e desejo para o fazer teatral. Foi assim que começamos a nos encontrar, inicialmente apenas para conversarmos sobre teatro. Éramos um grupo grande com quase vinte pessoas, mas sabíamos desde o inicio que o próprio processo de grupo iria selecionando os participantes e, aos poucos, cada um iria assumindo as suas funções, como de fato aconteceu. Das primeiras reuniões até novembro, quando decidimos qual seria nosso primeiro trabalho, o grupo ficou reduzido a apenas nove pessoas. Hoje temos um núcleo que está sempre junto trabalhando e desenvolvendo os projetos, este grupo além de mim tem Daniela Travassos, Jefferson Larbos e Manuel Carlos. Ficamos muito felizes ao vermos nosso trabalho sendo bem recebido pela cidade. Isto é fruto de muito empenho. Procuramos ser bastante criteriosos nas nossas escolhas. A nossa inserção na cena pernambucana vem se dando aos poucos, mas com muita tranqüilidade e até agora estamos sabendo lidar com isso. Uma coisa que nos policiamos e muito é para não nos sentirmos melhores em nada, quando um artista acha que é o melhor em alguma coisa, é porque a sua arte já esta morta. Tudo que fazemos é trabalhar e muito para nos mantermos vivos enquanto grupo, enquanto fazedores de teatro. Vejo que ainda estamos bem distantes da realidade que desejamos e sinceramente espero que nunca consigamos alcançá-la, pois o sentido de tudo está na procura e não na chegada.
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