Calabouço – A Trajetória da Alma
por Breno Fittipaldi

No início da década de noventa, o movimento teatral em Pernambuco ainda era feito com alguns grupos sobreviventes da grande efervescência que viveu a década anterior, e esses grupos ainda mantinham a tradição de circularem com espetáculo por várias cidades, nos diversos festivais e mostras que aconteciam. Foi nesse panorama que surgiu em Garanhuns, em maio de 1993, o Grupo Cênico Calabouço, da necessidade de exercitar essa experiência de grupo, fortalecer o movimento teatral da cidade, de investir na montagem de textos onde o mote girasse em torno dos conflitos interiores, dos questionamentos que inquietavam a geração da época, da busca pela comunicação através de uma via reflexiva e não simplesmente do riso pelo riso e ainda investindo em novos autores com textos inéditos e também em dramaturgos contemporâneos, além é claro, de fazer teatro para um público faminto por arte, mesmo essa fome parecendo muitas vezes estar oculta.

Foi a partir da imensa vontade de utilizar o teatro como forma de expressão, não apenas artística e aleatoriamente, mas política e sistematicamente, que através da iniciativa de Breno Fittipaldi o Grupo foi formado, a princípio com Eraldo Rodrigues, Lílian Ferreira, Hélio Júnior e Linda Fittipaldi. Com o passar dos anos, a cada montagem de espetáculo a equipe se renovava, novos componentes surgiam e outros iam embora traçar novos rumos. Os agregados foram muitos, sempre com contribuições fundamentais para o crescimento e amadurecimento do Grupo. Além dos cinco anteriormente citados que fundaram o Calabouço, participaram e alguns ainda participam: Carlos Janduy, Pacheco Neto, Múcio Vilela, Elias Mouret, Maria de Oliveira, Emauel Duart, Edjalma Freitas, Marcelo Francisco, Rodrigo Riszla, Gabriela Cabral, Wellington Junior, Rodrigo Dourado, Nelson Lafayette, José Manoel, Will Cruz, Alberto Saulo, Hypolito Patzdorf, Luciana Barbosa, João Compasso, Danilo Tácito, Karla Martins, Rafael da Motta e Tiago Liberdade. Um fato que certamente contribuiu para a rotatividade de componentes no Grupo foi a mudança em 1997 de Breno Fittipaldi para o Recife, trazendo no currículo do Calabouço quatro espetáculos montados em Garanhuns. Muita coisa ficava para trás, mas o Grupo precisava continuar.

O primeiro espetáculo montado em Garanhuns foi A revolta dos deuses, que estreou em dezembro de 1993, com texto e direção de Breno Fittipaldi, tendo no elenco Eraldo Rodrigues, Lilian Ferreira e Hélio Junior, com produção de Linda Fittipaldi. O conflito girava em torno de uma relação de deuses em um Olimpo desconhecido onde um triângulo amoroso despertava a ira do mais calmo dos deuses, por ter sido ele traído. Além do tema de adultério era questionado também o remorso, o arrependimento, o abandono, o vazio interior e principalmente até que ponto vale a pena lutar por um desejo que por vezes pode levar à destruição. No ano seguinte o espetáculo ganhou a I Mostra de Artes Cênicas de Garanhuns, representando a cidade no IV Festival de Inverno, além de vencer o XV TEBO – Festival de Teatro de Bolso, em sua última edição - que tradicionalmente acontecia no Forte de Cinco Pontas - nas categorias espetáculo, direção e atriz.

 

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