...continuação
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Passaram-se três anos até o próximo trabalho, tempo este dedicado a pesquisa de um novo texto, de uma linguagem mais contemporânea, de ajustes estéticos, de clarezas ideológicas, busca de algo desafiador, algo ainda não feito, não experimentado. Foi no meio de tudo isso que em 2001 estreou Hamlet: alucinação, sussurros e murmúrios, tendo Hamletmaschine de Heiner Müller como texto base e no elenco Marcelo Francisco, Gabriela Cabral e Rodrigo Riszla. |
| Hamlet (direção Breno Fittipaldi, 2001) - Marcelo Francisco, Gabriela Cabral e Rodrigo Riszla |
Tratava-se da vida de um ator, que durante muitos anos interpretou Hamlet de Shakespeare no teatro e que achava a trajetória do personagem muito mais importante que sua própria vida, confundindo-se muitas vezes com o próprio, querendo ser o próprio. Certo dia cai na real e descobre que ele só pode ser ele mesmo. Foi o espetáculo vencedor da VIII Mostra de Artes Cênicas de Garanhuns e mais uma vez representou a cidade no XI Festival de Inverno de Garanhuns.
Depois de um longo período sem montar nada, em 2005, o Grupo Cênico Calabouço participou do projeto Curta Cena – Ano II, com o trabalho, Um movimento quase absurdo, com dramaturgia de Wellington Júnior, baseado no texto Improviso de Ohio de Samuel Beckett. No elenco além do próprio Wellington, Nelson Lafayette e Rodrigo Dourado, com direção de Breno Fittipaldi. No ano seguinte, em 2006, o Grupo participa novamente do projeto Curta Cena – Ano III, com o trabalho Amêndoa amarga, venenosa e pura, texto inspirado no livro Perto do Coração Selvagem de Clarice Lispector, sob direção de Breno Fittipaldi, tendo o elenco composto por Nelson Lafayete, Rodrigo Dourado e participação especial de José Manoel, voltando à cena como ator após um jejum de doze anos.
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Um movimento quase absurdo (direção Breno Fittipaldi, 2005) - Wellington Jr. e
Rodrigo Dourado em cena |
Em 2007, acontece o espetáculo Beckett and Lispector, da junção dos dois esquetes surgidos no Curta Cena. No primeiro quadro, a trajetória de dois homens, que por se amarem demais, resolvem se separar para que esse amor jamais acabe, um vai morar em uma ilha deserta e o outro o observa todos os dias de uma janela distante, o habitante da ilha sabe que está sendo observado, mas não sabe de onde. No segundo momento, três mulheres, que mesmo demonstrando separadamente sentimentos, sensações e estados distintos, como amargura, pureza e veneno, podem ser a mesma
No elenco, Wellington Junior, Nelson Lafayette, Hypolito Patzdorf, Will Cruz e José Manoel, com direção de Breno Fittipaldi. Fez duas temporadas no Teatro Joaquim Cardozo, sempre com casa lotada.
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Beckett and Lispector (direção Breno Fittipaldi) - em cena Nelson Lafayette,
José Manoel e Will Cruz |
Em 2008 o Grupo participa do IV Pochade, com o trabalho “Buquê de Vértebras”, texto de Breno Fittipaldi, baseado na obra de Weslley Peres e poema de Marcelo Montenegro, no elenco Karla Martins, música original e sonoplastia de Rafael da Motta e luz de Tiago Liberdade.
Ainda para 2008 o Grupo Cênico Calabouço tem dois projetos, o “Calabouço de Leituras”, no qual três linguagens literárias são contempladas, o conto, a poesia e a dramaturgia com seus respectivos autores: Lúcia Bettencourt, Jomard Muniz de Britto e Alberto Guzik e a montagem do espetáculo Quatro quadros, uma colagem de textos inspirados na obra de Weslley Peres, Marcelo Montenegro, August Strindberg, Nelson Rodrigues e Lúcia Bettencourt, tendo no elenco Karla Martins, Rafael da Motta, Rodrigo Dourado, Hypolito Patzdorf, Luciana Barbosa, Ana Laura e Nelson Lafayette. E ainda programado para estrear em março de 2009, O beijo do dragão, texto de Caio Fernando Abreu e no elenco Irandhir Santos e Rodrigo Riszla. Breno Fittipaldi é o responsável pela direção geral dos dois trabalhos.
O Grupo Cênico Calabouço, ao longo desses quinze anos, participou de várias mostras e festivais, além de seis edições do Festival de Inverno de Garanhuns e da Mostra de Artes Cênicas de Garanhuns, se fez presente na última edição do Tebo, ou seja, XV Tebo – Festival de Teatro de Bolso do Recife, II Festival de Teatro em Tuparetama, I Festag – Festival de Teatro Amador de Garanhuns, I Fest’sket – Festival de Esquetes de Garanhuns, Festival Multicultural de Petrolina – Categoria Teatro, três edições do Todos Verão Teatro, I Festival de Teatro de Bolso de Camaragibe, Festival de Teatro de São Lourenço da Mata, II Mostra de Esquetes de Caruaru – Ano Cosme Soares, duas edições do Curta Cena, IV Pochade Teatral – Festival de Esquetes do Recife, além de várias temporadas nos teatros de Recife, Garanhuns e Maceió, e participações em eventos universitários. São mais de 70 prêmios e 100 indicações em todas as categorias ao longo de todas essas participações, onde o intuito principal é buscar no público o combustível de fazer teatro.
Praticamente todos os espetáculos do Calabouço foram dirigidos por Breno Fittipaldi, com exceção de Alma negra, em que tal tarefa ficou por conta de Elias Mouret. O processo de montagem de cada trabalho se diferencia em vários aspectos, desde a procura por um texto, a forma como este é trabalhado, o tempo que leva para a finalização, a escolha do elenco, a busca pela construção das personagens até os últimos detalhes de produção, estréia e temporada.
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| Breno Fittipaldi dirige o ator Hypolito Patzdorf no espetáculo Beckett and Lispector |
Geralmente a idéia inicial de montar um espetáculo se dá pela escolha do texto, mesmo que este, durante a montagem seja trabalhado de forma diferenciada. Todo o trabalho feito com os atores tem foco centrado no texto a ser desenvolvido ao longo do processo, que pode entrar logo no início com leituras e trabalho de mesa, ou quando o trabalho de partitura física já está num estágio mais avançado, mesmo esse trabalho sendo feito através de laboratórios e dinâmicas que intencionalmente giram em torno do texto escolhido, são as intenções físicas que são despertadas e através de vários experimentos conceituais, espaciais, sensoriais, cria-se um corpo que precisa ser preenchido e complementado com a palavra verbalizada, que traga à tona, como recurso indispensável e de necessidade agregatória, a dramaturgia focada. A partir desse momento começam os ajustes de intenção, atitude e procedência da personagem em cena, num equilíbrio entre a consciência de quem atua e todas as características particulares das atuações, conseqüentemente, das personagens.
A escolha do elenco para os trabalhos do Calabouço jamais se deu com testes de seleção e sim através de convites, já que o Grupo não possui equipe fixa. Essa dificuldade em manter um número mínimo de profissionais certamente acontece por não se conseguir uma regularidade nas montagens e recursos financeiros que possam garantir permanência dos participantes e nem o aprofundamento de pesquisas que necessitam, além de regularidade, de uma equipe fixa, que possa ser trabalhada ao longo do tempo e experimentar os diversos processos de montagens. Então por que nos definimos como grupo se não temos membros fixos no Calabouço? Pelo fato simples de grupo conceitualmente dar a idéia de conjunto, de pessoas reunidas, e no nosso caso, sempre em função da cena, pois não existe teatro solitário, de uma pessoa apenas, é preciso os da cena, os da técnica, os dos bastidores e evidentemente, os da platéia. Mesmo diante das dificuldades, mantemos dois espetáculos do nosso repertório, As loucas e o Beckett and Lispector, prontos para serem apresentados assim que solicitados.
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| Equipe do espetáculo Beckett and Lispcetor |
O Grupo Cênico Calabouço acredita na força que a cena possui, podendo e devendo interferir na vida das pessoas, que através do teatro a transformação do espectador aconteça, mesmo de forma imperceptível, onde talvez, apenas a alma perceba a leve mudança. Saudações a Dionísio. Evoé.
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