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Depoimentos:

"A Métron está intimamente ligada a toda a construção de minha história como atriz. Desde meus primeiros passos, minha carreira sempre se dividiu entre o trabalho de pesquisa em grupos como o Tróia de Taipa, e a atuação nos palcos através das peças da Métron. A relação sempre foi de inteira confiança, de liberdade para exprimir críticas e sugestões, e, sobretudo, de uma grande amizade. Admiro Rui e Edivane. São pessoas que não têm medo de enfrentar as barras da produção, que ajudaram a construir um teatro voltado para as crianças e jovens sem mediocridade, com imenso respeito por esse público e muita qualidade. Em toda minha carreira, sempre reclamei da falta de estímulo para os grupos de pesquisa. No entanto, hoje me preocupa essa super-valorização dos grupos, que acaba fazendo com que os produtores sejam estigmatizados. Grupos, de fato, são aqueles em que todos são criadores, produtores e dividem igualmente os resultados. A Métron não é um grupo. Mas vejo, hoje, muitos que se proclamam grupo e não o são. E muitas vezes, equipes de produção como a Métron acabam por dar ao ator uma liberdade maior do que muitos grupos". (Fabiana Coelho atuou junto à Métron, em Chapeuzinho Vermelho, Castelo Rá-Tim-Bum, Revolução na América do Sul, Presente de Palhaço e Meu Reino por um drama)

“Acompanho o desenvolvimento teatral de Recife desde a década de 80 e percebo que, em tão curto espaço de tempo, as formas de produção teatral em Recife foram se adaptando ao momento político de sua época.

Os trabalhos de grupo eram uma vertente forte, já no finalzinho de 80 e início dos anos 90, mais precisamente depois do momento Collor, o quadro muda radicalmente e artistas que antes eram membros de grupos juntaram-se para formar cooperativas ou produtores independentes. Não sei se isso é apenas uma percepção inteiramente particular ou se realmente é um fato.

Talvez tenha sido da necessidade de produzir seus sonhos que Ruy e Edivane criaram uma produtora independente, onde fosse possível pôr em prática um teatro de cunho empresarial, mas que nem por isso menosprezasse o artístico, muito pelo contrário.

Vê-se que grupos como PANORAMA TEATRO, FOCO NO MULAMBO, THÉSPIS DE REPERTÓRIO e tantos outros que tive a honra de fazer parte não conseguiram manter-se por falta de apoio, por falta de incentivo e talvez auto-estima, foram se dissipando para trabalhar com produtoras que garantiam um determinado trabalho no palco e, o mais importante, pagamento pelo trabalho.

A MÉTRON ao meu ver é uma produtora independente de extrema importância no nosso estado. Primeiro porque os produtores são artistas de pensamento de grupos dos anos 80 e 90, que reconhecem no seu teatro a importância da estética, da linguagem, da qualidade, do respeito ao artista e ao público. Sabem que a arte de qualidade está à frente de tudo. É de extrema importância o trabalho de produtores “conscientes” como os da Métron. Têm consistência de grupo, têm pensamento de cooperativa e, o mais importante, têm visão empresarial. Teatro também é empresa, também é garantia de trabalho remunerado, também é garantia de público, também é desenvolvimento humano! E para mim, a MÉTRON é isso e, é uma das poucas que conseguem sobreviver a tantos bombardeios políticos no Brasil” (Paulo de Pontes – Ator pernambucano radicado em São Paulo)

“A Métron Produções se diferencia no panorama das produtoras locais do teatro para infância e juventude pelo fato de não apenas produzir espetáculos – o que por si, já justifica sua instituição, mas por provocar, discutir e refletir sobre a produção. Os encontros realizados, reunindo grupos e produtores de teatro para infância e juventude – apesar de contar com um numero reduzido de participantes, fomentam a união, discussão e a reflexão conjunta sobre o nosso fazer teatral e nossa possível forma de organização do segmento.

O Festival de Teatro Para Criança de Pernambuco constitui-se num marco do teatro pernambucano, voltado ao incentivo da formação de público, amostragem do panorama nacional e, conseqüentemente uma análise critica e reflexiva dessa produção. Espetáculos que, certamente sem o Festival, não visitariam nossa praça, têm realizado apresentações imperdíveis dentro do Festival. Outro aspecto importante do Festival, que o diferencia dos demais, é o seu formato – Teatro, Praça e Shopping, além de oficinas e palestras.

Vale ainda ressaltar a preocupação da Métron com os temas abordados em seus espetáculos e a relação ética e profissional que estabelece com seus parceiros de trabalho – autores, diretores atores e técnicos” (Williams Sant’Anna é Gerente de Teatro da FCCR)

 

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