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TeatroPE: Você trabalha quase que exlusivamente autores nordestinos, tendo montado Ariano Suassuna, Luiz Marinho, Lourdes Ramalho, Vital Santos, etc. Como analisa a dramaturgia nordestina?
PB: O fato de ter uma carreira pautada em montagens de autores nordestinos não significa um estigma ou limitação. Pelo contrário, analiso a dramaturgia nordestina como sendo universal e recheada de fatos e “causos” inerentes ao universo humano. Os autores nordestinos, além de uma peculiaridade e competência extraordinárias, sabem como ninguém se impor diante de temas políticos, sociais e religiosos, de forma leve, lírica e cativante, levando as platéias ao delírio. O teatro, além de proporcionar lazer, é um veículo de formação, transformação e interação de uma sociedade. A dramaturgia nordestina é entendida e degustada do Oiapoque ao Chuí, sem reservas para o sotaque ou coisa que o valha.
TeatroPE: Gostaria que você falasse um pouco do processo de criação com cada um dos diretores com quem já trabalho?
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PB: Sou uma atriz que, além de um bom texto, valoriza muito a figura do encenador. Vejo-o como o responsável pelo sucesso de qualquer espetáculo. Cada um com os seus saberes e sua forma de lidar. Um excelente texto, em mãos erradas, vira um faz-de-conta. Um texto, por singelo que seja, nas mãos de um diretor competente, vira uma obra-de-arte. Tive a sorte, desde 1982, de estar nas mãos competentes e cuidadosas desses mestres:
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A promessa (1988) |
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Severino Florêncio, pegando-me pela mão e ensinando-me o bê-á-bá da arte de representar; José Manoel, instigando-me ao conhecimento do método de Stanislavski; Didha Pereira, levando-me a desbravar sentimentos e manifestações interiores, nunca antes explorados; Romualdo Freitas, colocando-me no limite da resistência e do convencimento cênico; Francisco Torres, aceitando sugestões e garimpando idéias; Carlos Carvalho (6), dando-me a certeza que somos aquilo que somos. Para todos, tiro o meu chapéu! |
Fiel espelho meu (1993) - direção de Didah Pereira |
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Valsa nº6 (1995) - direção de Romualdo Freitas |
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A feira (2003) - direção de Francisco Torres |
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Negro rei (1997) - direção de Carlos Carvalho |
TeatroPE: Como é a sua metodologia de trabalho de atriz?
PB: Antes de definir o perfil de qualquer personagem, prefiro mergulhar no universo da trama como um todo. Sou consciente de que uma obra teatral é um conjunto e temos que ter a preocupação do porquê, para quê e para quem se destina a obra.
Sabemos que isso não se constrói sozinho. As opiniões, os debates, a garimpagem e dissecamento do texto, as discussões em grupo, são de extrema relevância para a construção do perfil de qualquer personagem. É esse ponto de partida que nos torna inteiros e convencíveis. Gosto de me expor a avaliações antes de levar meu personagem ao público. Pessoas abalizadas no assunto sempre nos ajudam na composição de cada personagem. Levamos uma primeira idéia, depois estamos abertos a mudanças e até castração de determinados conceitos. Gosto de fazer pesquisa de campo e tenho o hábito de cumprir a minha tarefa, solitária, de atriz. Experimento a intimidade e a essência da personagem. Se eu aprovar a minha criação, tenho 90% de chance de acerto. Caso contrário, parto para novas descobertas. Sou exigente comigo, pois quero que o produto final tenha o selo de qualidade, referendado pelo público.
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