Grupo Teatral Quadro de Cena:
o gene e o gênesis
por Samuel Santos, Vanessa Lourena e o Grupo

O vírus da arte, quando penetra por vias e veias, deixa correr no sangue o sonho e as idéias do teatro. Assim surgiu o Grupo Teatral Quadro de Cena. Após um curso de iniciação ao teatro, produzido pela Galharufas Produções, onde Samuel Santos ministrava a disciplina de improvisação e interpretação teatral, no final do ano de 2003, onde este teve o primeiro contato com os futuros integrantes do Q.C.

Dirigiu-os ainda alunos no espetáculo Menino minotauro, peça do conhecido Felipe Botelho, como prova pública para esse primeiro momento. Em seguida, durante o curso posterior, em nível avançado de estudo, alguns alunos já se reuniam com o anseio de continuidade no processo de aprendizagem e a formação de um grupo de estudos teatrais, convidando assim o atual professor, que achando tentadora a proposta, se uniu a esses jovens que tinham as vias e as veias da arte do teatro em seu estado puro, bruto e genuíno, além do interesse em atuar e produzir, fazendo um teatro simples e digno da própria arte.

Este segundo curso foi mais voltado para a formação de um grupo, onde todos tivessem o compromisso interior e primordial em estarem juntos em busca do conhecimento e do respeito mútuo. Preparando, assim, neste um ano de curso avançado, o terreno a partir de estudo, pesquisas e exercícios baseados em Constantin Stanislavski, Antonin Artaud, Jerzy Grotowski, Bertold Brecht, Michael Chekhov e Viola Spolin para o futuro Grupo ter embasamentos teóricos, práticos e estéticos. Talvez muita pretensão para jovens pessoas despontando para vida e para o teatro, mas estes desafios os alimentavam.  

Assim, dividia-se o futuro grupo em subgrupos, onde cada um destes teria que realizar um seminário teórico e prático em cima dos métodos e sistemas desenvolvidos por um determinado teórico supracitado. Com isso, a seleção natural aconteceu. Ocorreram dificuldades com alguns alunos do curso e uma boa fluência e identificação com outros, mas, de cada um dos estudantes, absorveu-se um pouco e, com isso, se iniciou a criação da consciência física e psicológica de um aparelho grupal de trabalho para assim caminhar para trabalhos que tivessem em sua essência um despojamento com alto grau político, social, poético e colaborativo.

Tendo, com isso, sua primeira formação no ano de 2004, que contava com Samuel Santos, Andreza Nóbrega, Andala Quituche, Beatriz Lacerda, Jorge Viana, Lucas Cavalcanti, Milena Marques, Thelma Albuquerque, Vanessa Lourena e Vicente Caricio, onde estes já firmados como integrantes do Grupo e enquanto artistas construíram seu primeiro trabalho em cima deste ideal de linha de pesquisa. O espetáculo foi O circo das emoções genuínas com direção do próprio Samuel e texto dele e do restante do Q.C., que faziam parte do elenco. Este espetáculo/experimento discutia o homem na sua forma primitiva/ritualística e moderna, e suas ações e atitudes internas e externas diante do mundo que o próprio habita.

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