O “Olé” de Inês Viana*
por Rodrigo Dourado
*Ode ao comediante!

A mulher que escreveu a bíblia (Foto de Val Lima)

Ou estou ficando maluco, ou o pessoal dos outros veículos de comunicação da cidade viu um espetáculo diferente do que eu assisti sábado passado (29.11), no Santa Isabel. O JC disse: “De fato, Inez faz uma bela e engraçada interpretação, mas não consegue manter o ritmo do monólogo de 80 minutos”. Bela e engraçada interpretação faz a linda Sôia, de Quebra-Quilos. Já Ivana Moura, do DP, afirmou: “Inês Viana explora com muita competência a inteligência do texto”. Isso quem faz é o excelente Marat Descartes. Ok, não desconsideramos os elogios. Mas o que Inês Viana faz em cena não tem adjetivos, é simplesmente memorável, alucinante, arrepiante, inacreditável.

Eu confesso a vocês que minha vontade é não rascunhar esta crítica sobre “A mulher que escreveu a bíblia”. Eu disse a todo mundo que pude para ir ao teatro no dia seguinte, que não perdesse de jeito nenhum. Porque tudo que eu disser será pouco para qualificar aquele trabalho. Olha, a minha sensação, ao final do espetáculo, era de enlevamento. E todo o teatro estava nesse ritmo – menos o pessoal que não pôde descer da torrinha para a platéia, que estava “p” da vida. Era um tal arrepio de todo mundo que estava ao meu lado, uma vontade de não parar de aplaudir, um desejo de pegar aquela atriz no colo e levar para casa. Afe Maria!

Não vou contar a historinha da peça, tou cansado. Quem quiser pode ler nas críticas dos outros veículos. Vou me restringir a dizer que o texto de Moacyr Sciliar é muito bom, a adaptação de Thereza Falcão é ótima, a direção de Guilherme Piva é precisa e o trabalho de Inês é FENOMENAL!!!!!!!!!!! Como alguém consegue executar uma partitura daquela magnitude, com tanta precisão, brilho, vida, criatividade, rigor? Como alguém consegue deixar a platéia na mão daquele jeito? Como alguém consegue tocar nossos corações – a expressão é brega, mas vá lá – daquele jeito? Como alguém consegue tranformar em “ouro” tudo o que toca?

A resposta só Inês Viana tem. Eu saí do teatro de alma lavada.  Impressionado com a grandeza daquela mulher, juro. Ainda fui obrigado a encontrar alguém num bar qualquer que me disse: “É, disseram que era mais ou menos”. Mais ou menos? Vocês já imaginam o que eu tive vontade de responder a essa pessoa: “Mais ou menos é a Política de Quotas do País!”.

Enfim, um final fabuloso para o XI Festival Recife do Teatro Nacional. Divertidíssimo, inteligente, tocante, cativante, provocante, sensacional. Inês, cê me dá um autógrafo?

 

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