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A teoria do caos. A interligação entre tudo. O bater de asas de uma borboleta no oriente pode provocar uma tempestade no ocidente. E desta forma, com este fundamento, começa a cena de CORRA.
De grande impacto visual e sonoro, esta abertura de tirar o fôlego, parece nos tragar para dentro de uma complexa confluência de fatos que irão se relacionar uns com os outros no decorrer do espetáculo, fazendo mais de 30 personagens, em 3 cenas distintas, terem alguma ou total influência sobre o destino uns dos outros. Tudo num ritmo frenético, vertiginoso, como termina por ser, o cotidiano de muitos de nós, neste mundo contemporâneo.
É impressionante a riqueza de detalhes, do guarda-chuva quebrado, invertido e sacudido pelo vento ou, mais ainda, da atriz que tenta vencer a força do vendaval andando contra a ventania, segurando seu chapéu, enquanto um outro ator manipula sua capa de chuva estendendo-a no ar.
Noutro momento, observamos uma interação entre os personagens, cujas vidas se cruzam “num jogo de acasos influenciados”. Os atores-narradores nos confidenciam suas trajetórias enquanto observamos o desenrolar dos fatos, geralmente, conduzidos com muito humor. Vale destacar a cena hilária dos peixes dialogando no aquário e a seqüência em que eles morrem.
Na segunda cena, vestidos com roupas futuristas e de costas para a platéia, impessoais, travam um diálogo pela internet revelando a superficialidade das conversas virtuais. A platéia, identificada com as características peculiares desses diálogos, mostra-se envolvida com a cena. Na terceira e última parte ouvimos a história de Pierre.
Com texto e direção de Marcelo Oliveira e uma instigante luz e sonoplastia, respectivamente, de Pedro Vilela e Hugo Souza, o grupo Magiluth traz fôlego renovado para a cena criativa da cidade. É um dos grupos mais comentados e prestigiados do momento, e há razões para tal: equilíbrio estético em diálogo com as produções contemporâneas e a pretensão de produzir muito mais, não se limitando as nossas fronteiras. Desta forma, já foram premiados aqui e no Rio de Janeiro, apresentaram-se em Fortaleza e brevemente devem viajar para novos estados.
Competentes e articulados, os artistas Marcelo Oliveira, Lucas Torres, Júlia Fontes, Olga Torres, Giordano Castro, Thiago Liberdade, Cadu Sales, dentre os outros já citados, fazem valer a força do trabalho de grupo. E por muito mais, prometem novos ATOS.
* É jornalista, colaborador do TeatroPE e integrante do Coletivo Grão Comum.
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