A Turma do Biribinha: hibridismos ou justaposição?
por Wellington Júnior*

O reencontro de palhaços na rua é a alegria do sol com a lua

ais urgente não me parece tanto defender uma cultura cuja existência nunca salvou uma pessoa de ter fome e da preocupação de viver melhor, quanto extrair, daquilo que se chama cultura, idéias cuja força viva é idêntica à da fome 

    Antonin Artaud 

Dois palhaços de circo que não se vêem há muito tempo se encontram e relembram o maravilhoso passado que viveram juntos. Eles são os palhaços Biribinha e Linguiça, que anos atrás fizeram muito sucesso trabalhando no Circo Mágico Nelson, do palhaço Biriba. Essa é a base dramatúrgica em que se assenta o espetáculo O reencontro de palhaços na rua é a alegria do sol com a lua, que se apresentou no dia 26 de Maio de 2008 no Sesc Piedade dentro da programação do II Festival Palco Giratório – Recife. 

A montagem desse espetáculo é da Cia. Teatral Turma do Biribinha que começou seu trabalho com a necessidade de fazer algo além do circo, porém com a mesma essência. Hoje o maior foco do grupo está nas apresentações na rua, mais conhecidas como “circo sem lona”. O grupo é do interior de Alagoas, da cidade de Arapiraca. 

Quando assisti ao espetáculo fiquei com uma série de perguntas sobre a estética proposta: 

1) quais pensamentos o espetáculo produz sobre a matéria popular?

2) Como trabalham a transfiguração da matéria popular para a cena contemporânea?

3) Como dialogam com a estrutura dramatúrgica tradicional do teatro?

4) Será que estão inseridos nos trilhos de um teatro pós-dramático? 

Para várias dessas perguntas não tenho respostas, mas acredito que algumas dessas respostas estão no caráter híbrido do espetáculo. A montagem se propõe a trilhar linguagens diversas (circo, teatro, música, dança). Então a base estrutural espetacular é por excelência a forma do diverso, do que aceita e multiplica diferentes linguagens, ao invés de homogeinizá-las. O espetáculo não deve ser entendido como uma conceituação fixa, mas exatamente pela não-definição, pelo constante movimento  e transformação  da linguagem cênica. 

Infelizmente, em alguns momentos, o elenco formado por Téofanes Silveira Júnior, Nelson Silveira Neto, Wellington Santos e Teófanes Silveira não consegue esse ‘mix’ de linguagens e opta pelo mais óbvio: a justaposição. Mas a presença deste espetáculo na programação de um festival é importante por questionar esse olhar híbrido sobre a linguagem cênica. 

* Colaborador do TeatroPE, arte-educador e encenador.


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