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Merecedor de muitos aplausos, pela curadoria proposta e pelo resultado dos trabalhos já assistidos no Festival Palco Giratório Brasil-Recife, o Sesc – Pernambuco nos evidencia seu profundo compromisso de promover o teatro na nossa região, apresentando ao público, durante todo o mês de maio, “um verdadeiro mosaico de diversidade cênica”.
Neste último domingo(11), no acolhedor Teatro Capiba, localizado no Sesc de Casa Amarela, ocorreu uma bela encenação que defendeu o ideal de um grande homem de teatro: Marco Camarotti. Para muitos, um mestre. Eu mesmo, que já estive presente em algumas de suas aulas, constato a dimensão daquela alma humana, política, criativa e genial. Camarotti defendia e elucidava a arte como quem faz germinar a semente na natureza.
Por isso, depois de sua morte, dando continuidade e ampliando suas pesquisas, para que tudo permanecesse vivo, sua filha Clara Camarotti, em parceria com Viviane Bezerra encenaram um de seus textos - Rififi no Picadeiro. O desafio era pensar o teatro infantil, o teatro popular e o próprio circo com muita inspiração e integridade. Mas elas não estavam sozinhas, e assim nasceu a Trupe Ensaia Aqui e Acolá formada por Daniel Alcântara, Fred Rodrigues, Iara Campos, Íris Campos, Jorge de Paula e Juliana Montenegro.
Por ser dia das mães e pela chuva intensa, o teatro não ficou lotado. Mesmo assim, muitas famílias compareceram querendo este programa; e a platéia logo ficou cheia de crianças. E bastou o espetáculo começar, para que este público mirim se dividisse entre permanecer atento a cada presepada dos personagens e, em outros, de se tornarem verdadeiros participantes da encenação com direito a falas, gestos e risadas pra lá de inocentes. Algo bem cativante para quem assistiu. Mas ainda, pela forma segura e envolvente, com que todo o elenco respondia a tais intervenções, sempre inesperadas, destes “meninos-atores” interagindo com a história da encenação.
O enredo, de uma forma geral, é o seguinte: Uma trupe ensaia um espetáculo de circo que vai estrear. Um dos integrantes desaparece, provocando confusão e mistério entre os artistas. Todos começam a procurá-lo. O dono do circo resolve castigá-lo, mas essa relação entre patrão e empregados começa a ser questionada. Os artistas se unem e reivindicam que o circo seja conduzido por todos.
Os personagens, muito bem compostos, fazem transparecer a poesia do palhaço. São eles: o palhaço da pena-de-pau, o trapezista, a dançarina, o palhaço pipoco, a domadora e o dono do circo. De forma legítima, todos nos fazem rir e pensar na cena leve e alegre que nos conduz a brincar, a cantar, a também entrar no picadeiro, como se tudo fosse uma grande brincadeira.
Permanece na memória, a cena da abertura repleta de poesia, em que as pernas dos palhaços saem por de baixo das cortinas num misto de dança e mímica ou a delicadeza de cada um dos elementos que compõem o cenário tão cheio de cores e formas lúdicas, somados a melodia das canções trabalhadas por Adriana Millet e a proposta de maquiagem e figurino, do sempre brilhante, Marcondes Lima.
Seria redundante terminar dizendo que eles merecem ganhar mais prêmios, pelo diferencial com que abordam o público infantil ou pela breve trajetória que já acumula tantos êxitos. Viva o circo!
* É jornalista, colaborador do TeatroPE e integrante do Coletivo Grão Comum.
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